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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
espaço retro
vou falar agora sobre outra banda que é uma das minhas preferidas, The Nitros.
Acredito que a banda seja lembrada sempre por ter um dos guitarristas mais virtuosos e talentosos do Rockabilly, mesmo que não tão conhecido como Brian Setzer, Mark Harman, Darrel Higham, entre outros… John O’Malley é tão bom quanto esses nomes. Como sabemos, o Rockabilly já é uma mistura de estilos por nascença, e a maneira que seus músicos tocam não é diferente, perceptível principalmente pelas guitarras, uns com uma tendência mais Country/Hillbilly e outros mais Blues, John O’Malley nos remete à grandes guitarristas Jazzísticos, tanto pelos solos rápidos e precisos, quanto pelas notas menores com 6º maior, o que torna a sonoridade mais Jazzy.
A banda foi formada em meados de 1984, quando o baixista Mark Swain e seu primo, o baterista Jon Attril, publicaram um anúncio na revista Inglesa, “Melody Maker” procurando um guitarrista Rockabilly, e John O’Malley respondeu à este anuncio e foi fazer um teste. O ensaio ocorreu na casa de Mark que ficava em Totteham, norte de Londres. John tocava em bandas desde os 12 anos de idade, mas aos 15, esta seria sua primeira banda Rockabilly com um baixo acústico.
Logo no começo do Nitros, John O’Malley só tocava guitarra, ficando à cargo de um quarto membro fazer o vocal, ele se chamava Gary Pudney, porém com pouco tempo de banda, Gary sai da banda e forma o Griswalds (Lançaram um EP pela Raucous e um disco pela Nervous, mas esta é outra história). Gary cantava de uma maneira que não combinava com o som que o Nitros estava querendo fazer, talvez para Psychobilly a voz dele fosse mais adequada, mas longe de ser para o estilo que eles procuravam, algo mais próximo de Restless e Blue Cats.
Então como um trio, com John assumindo os vocais, eles gravaram em 1987, a música “Destruction Road” para a coletânea “I Love My Car” lançada pela Fury Records e as músicas “Taxi Cab” e “Echoes Of Love” para a coletânea “Katz Keep Rocking Vol1 e Vol2” pela Link Records, que saíram respectivamente em 1988 e 1989.
Ainda em 1988, a capacidade de escreverem com critividade suas músicas, rendeu-lhes um mini-LP intitulado “Nightshades”, misturando um Rockabilly rápido com riffs criativos e com fortes influências de Jazz de O’Malley’s, assim como um baixo marcante com slaps fortes. Um álbum de apenas 8 músicas, mas que é uma verdadeira obra-prima do Neo Rockabilly.
Mesmo depois de grandes apresentações e o lançamento de “Nightshades”, infelizmente esse line-up não durou muito tempo, e a banda se separou no final dos anos 80, devido à alguns problemas pessoais de John e à medida que a banda decaia, Mark começou a perder o interesse. Depois de um tempo, Mark formou a banda “The Shocking Truth”, um pornobilly como eles gostam de chamar.
Felizmente John conseguiu continuar a banda, dessa vez com o excelente baixista Gary Day e o baterista Rich Taylor. Gary já era conhecido na cena Rockabilly e Psychobilly por ter tocado com bandas como The Mysterons e Frantic Flintstones. Começava uma abordagem nova do Nitros, com Rich e Gary já sendo da cena, a atmosfera da banda era melhor, segundo John, tudo era mais divertido e fácil de se fazer. Gary, além de ser um excelente baixista, estava muito entusiasmado para tocar o que tinham proposto e era ótimo para a banda.
Eles fecharam com o “Sam Phillips do Neo Rockabilly”, Roy Williams da Nervous Records, e foram para o estúdio gravar o segundo álbum do Nitros, “Stompin’ Beat”. Lançado em 1990, este álbum chega ser melhor que o anterior, seguindo a linha de Rockabilly rápido e com excelentes canções, e em particular as músicas “Devil’s Ship” e “Swingsville” demonstram o quanto O’Malley é um dos melhores (e não reconhecido) guitarristas da cena, demonstrando diversas influências, mas mantendo seu estilo Jazzy.
John comenta: “Eu sempre gostei de Brian Setzer, ele é ótimo. Eu comecei a gostar de todos os guitarristas de rock’n’roll, como Cliff Gallup, Franny Beecher, Danny Cedrone e Scotty Moore, eles ainda hoje soam bem. À medida que envelheço meus gostos vão se ampliando, ouço muito Django, Oscar Moore e Danny Gatton para tentar pegar algo desses estilos. Mas meu herói é Jimmy Bryant, sua guitarra soava tão rápida e limpa, absolutamente incrível sem dúvida.”
“Stompin’ Beat” conta com três excelentes versões, “I’ll Cry Instead” dos Beatles, “Crazy Little Thing Called Love” do Queen e “Rockin’ All Night” do Polecats. Embora o resultado do disco tenha sido ótimo, as sessões de gravações não foram tão fáceis, “Stompin’ Beat” foi um pesadelo, o engenheiro de som estava “bem loco” a maior parte do tempo e não podia fazer as coisas que eles queriam, então tiveram de chamar Pete Gage que assumiu e mixou o álbum, salvando o álbum.
Ainda no ano de 1990, Gary voltou para o Frantic Flintstones e levou com ele Rich Taylor. Juntos eles gravaram o disco “Cuttin A Fine Line” lançado pela Rumble Records e em 1993 gravariam o disco “Jamboree” pela Anagram. Durante as sessões de gravações de “Jamboree” produzido por Alan Wilson (Sharks), Gary sugeriu uma volta do The Sharks. Alan gostou da idéia e com Gary no baixo eles gravaram “Recreational Killer” em 1993. Gary já tocava com o popstar Morrissey desde 1991 permanecendo no grupo até 1994, e voltando em 1999 para uma tour do Morrissey chamada “Oye Esteban!” ficando até 2006, quando saiu para outros projetos.
Por volta de 1991, John O’Malley foi membro da banda “Rabbit Action”, com Phil Connor um amigo de John desde o começo do Nitros, e vocalista do Skitzo, Mick Wigfall no baixo e Paul Moxon na bateria. A banda durou pouco tempo e acabou sem grandes realizações.
Em 1993, mesmo com Gary em várias bandas e projetos, o Nitros gravou e lançou seu terceiro álbum, “Something’s Gotta Give”, lançado pelo selo de Gary Day Rockout, que infelizmente durou pouco tempo. Outro álbum muito bom, este com Boz Boorer (que tocou no Polecats e tocava no Morrissey junto com Gary desde 1991) como produtor, entre outras pessoas. O álbum só traz composições próprias, com a exceção de “All I Can Do Is Cry” de Wayne Walker e “Big Sandy” de Bobby Roberts.
Neste álbum temos também um cantor convidado, Chris Harvey, que ficou com a banda por cerca de 6 meses, saiu por não se encaixar no senso de humor da banda.
Os caras conheceram Colbert Hamilton trabalhando num mercado em Kensington. Eles já tinham visto uma apresentação de Colbert antes e sabiam que ele era muito bom, com ótima presença de palco, o que tornou-se marca registrada em seus shows.
Gravaram dois discos, “Still Taggin’ Alone” em 1993 e “Wild at Heart” em 1994, fizeram uma grande tour de sucesso no Japão. Hoje ele é conhecido como Black Elvis, e trabalha como cover do rei.
Embora a banda não tenha acabado oficialmente, os membros se envolveram em outros projetos, impossibilitando dar continuidade e atenção à esta excelente banda. Gary Day se dedicou ao seu trabalho com o Morrisey e gravou um disco solo chamado de Gazmen, junto com Alan Wilson, Boz Boorer e Alain Whyte, os dois últimos guitarristas do Morrissey. Depois disso se envolveu em outros projetos de menos repercussão.
John O’Malley se juntou à banda Good Rockin’ Tonight gravando vários albuns e fazendo grandes turnês, e formou o trio Poker Dots em 2002, com Zac Zdravkovic and Spencer Lingwood, ambos tocam com ele no Good Rockin’ Tonight. O Poker Dots é uma banda inspirada em Platters, Crew Cuts com uma mistura de Nat King Cole, eles gravaram um álbum que saiu em vinil no Japão.
Sem dúvida uma banda obrigatória para todo admirador de Neo-Rockabilly, com certeza quem ouvir irá se impressionar com a técnica de John e as qualidades das músicas, e parando para pensar, a maioria do material gravado pelo Nitros (com exceção do Nightshades), foi num curto espaço de tempo, com os membros se dedicando à outros grandes projetos e shows.
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